Seria esse o mistério da Paixão de Cristo?
Existe uma pergunta que quase ninguém tem coragem de fazer. Talvez porque a resposta seja capaz de mudar tudo o que acreditamos sobre amor, fé, razão e até mesmo sobre Jesus. Li, reli e hesitei antes de publicar este texto. Se você tiver coragem para pensar, vá em frente...
6/19/20264 min read


Tenho para mim que não há nada mais perigoso do que o medo do amor.
Os indivíduos que têm medo do amor, ao longo do tempo, vão desenvolvendo uma armadura, uma espécie de couraça. Essa armadura é bem costurada por inúmeras razões. Cada memória de dor é um pedaço da armadura, e cada dor tem uma razão, uma história.
Com o passar do tempo, essas pessoas, na tentativa de se proteger da dor, tornam-se extremamente racionais. Suas ações e decisões nunca são baseadas em sentimentos, pois, para elas, não há nada mais perigoso do que seguir um sentimento.
Esse medo é reflexo de nossas memórias de queda. Afinal, nossas quedas nunca aconteceram por excesso de razão, mas por excesso de emoção. Excessos de raiva, ódio, fúria, rancor, inveja, ciúme, ganância etc.
E é por isso que, no fundo, temos medo de sentir...
A razão sempre nos mantém em um espaço seguro de equilíbrio, bem protegidos dos sentimentos. Já a emoção é o que nos arranca dos lugares e faz com que nos movamos em direção a algo.
A emoção é a reação do corpo a um estímulo; já o sentimento é o fundamento da emoção, e é o sentimento que a sustenta.
Mas como saber se estamos nos movendo pelo sentimento certo?
Acho que a pergunta que devemos fazer não é se estamos nos movendo pelo sentimento certo ou errado, e sim: qual é o fundamento desse sentimento? E, afinal, qual é a verdadeira intenção por trás dele?
Se olharmos para o pouco que conhecemos da história de Jesus, o que será que o moveu a fazer tudo o que fez? Será que ele era movido pela razão ou pela emoção?
Se Jesus voltasse hoje, como o classificaríamos? Como um ser emocional ou racional?
Se ele tivesse usado apenas o recurso da razão, será que teria feito tudo o que fez?
Para mim, todas as ações de Jesus estavam, sim, bem fundamentadas na razão. Mas não na razão humana, e sim na razão divina.
A razão humana busca a segurança; a razão divina busca o amor.
Jesus certamente era um apaixonado pelas razões (verdades) divinas, e foi essa paixão que o moveu a fazer tudo o que fez.
Foi essa paixão ardente que fez com que tantos ficassem perdidamente apaixonados por ele, pois somente uma paixão avassaladora seria capaz de levar pessoas a largarem suas vidas para segui-lo.
E eu fico aqui pensando: se Jesus tivesse deixado o medo de amar ser maior do que sua vontade de amar, onde estaríamos uma hora dessas?
Tenho para mim que Jesus foi um dos maiores emocionados que já passou pela Terra e, no final das contas, foi realmente a sua paixão que nos salvou de uma tragédia ainda maior.
Mas parece que, até hoje, não entendemos o mistério da Paixão de Cristo.
A Paixão de Cristo tornou-se sinônimo de dor, mas tenho para mim que, na verdade, a paixão de Jesus era outra.
Jesus era apaixonado pela verdade. Era apaixonado pelo amor.
Agora vamos olhar para o mundo.
Olhem para a forma como vivemos hoje...
Onde estão os apaixonados?
Onde estão os cantores apaixonados? Os poetas? Os pintores? Os professores? Os pais? As mães?
As obras de arte estão cada dia mais feias. As músicas, cada dia mais ridículas. As construções, cada dia mais escuras, frias e quadradas.
Onde estão a paixão e o amor?
Afinal de contas, pelo que que estamos apaixonados?
A maioria de nós está esperando Jesus voltar para nos salvar de novo. Mas será que a nossa salvação não estaria justamente em seu exemplo de coragem, amor e fé?
Ele teve coragem de amar e não teve medo de expressar o seu amor.
Mas e nós?
Nós, que estamos cada dia com mais medo do amor?
Acho que estamos diante de uma das maiores tragédias humanas.
Hoje temos muito mais recursos, conforto e segurança do que em tempos passados. Contudo, temos cada dia menos paixão e menos amor.
Temos medo de olhar nos olhos uns dos outros. Temos medo de nos abraçar, de chorar, de sentir.
Temos medo de nos entregar, de nos expressar, de nos declarar.
Temos medo de arriscar. Temos medo de falhar. Temos medo de tentar.
E o pior de tudo: temos medo de amar.
Será que esse medo do amor está nos aproximando ou nos afastando de Jesus?
Mas talvez não seja prudente ficar perdendo tempo com esses assuntos do amor, não é?
Vamos colocar a cabeça no lugar, voltar à razão e cuidar dos nossos afazeres.
Afinal, temos tanto a fazer, tantas obrigações para cumprir e tantas contas para pagar...
Melhor cuidar dos nossos afazeres.
Vamos voltar a fazer o que temos que fazer e, se um dia sobrar tempo, cuidamos desses tais assuntos do SER humano. Mas antes de voltar a cuidar dos meus afazeres, acho que preciso fazer uma coisa…
Alô, Jesus... consegue me ouvir?
Nossa, que pergunta estúpida, certamente você me ouve. Acho que sou eu quem não consegue te ouvir.
Jesus, já que você consegue me ouvir, gostaria de lhe pedir perdão!
Me perdoe por minha hipocrisia…
Afinal, com que cara vou dizer que quero ser um instrumento do amor se ainda tenho medo de amar?
Com que cara vou dizer que quero me aproximar do Criador se ainda tenho medo do Amor?
Por favor, me perdoe Jesus!
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"Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja e quem tem coragem, que pense"
Escrito por Catarina L´Cruz em 19/06/2026
