O pedido oculto por trás da caridade…

A maioria das pessoas acredita que caridade é dar… Mas e se você estiver tentando dar algo que ainda não tem? Existe uma verdade silenciosa por trás de todo ato de doação e quase ninguém está disposto a olhar para ela. Neste texto convidamos você a refletir um pouco mais sobre a essência da caridade...

Karina Cruz e o Espírito do Cavaleiro

4/22/20265 min read

Doar é amar pela alegria de amar...

Eu acredito que a verdadeira caridade não está em ajudar, mas em amar pela alegria de amar. Mas, pensando bem… que ajuda poderia ser melhor do que a doação do nosso amor?

A grande questão envolvendo a tal da caridade é que só conseguimos doar amor quando temos amor para doar.

Agora pense comigo: o que acontece quando você tenta doar algo que não tem?

Digamos que você queira doar um moletom para outra pessoa, mas você não tem esse moletom para dar… o que você faz?

Ou você pede para alguém te dar um moletom, ou você compra um moletom para poder doar, não é mesmo?

Bom, mas não estamos falando de moletom… estamos falando da tal da caridade, que nada mais é do que doar o seu amor pela alegria de doar.

Usei o exemplo do moletom apenas para que possamos compreender que só é possível doar aquilo que temos.

Então, se a caridade é o ato de amar pela alegria de amar, isso significa que, antes de dar amor aos outros, eu preciso ter amor para dar, concorda?

E como é que eu consigo amor?
Consigo comprar? Posso pegar dos outros?

Você só consegue ter amor para dar quando encontra a fonte de amor em você.

A fonte de amor, também conhecida como essência divina, centelha divina, eu verdadeiro… são muitos nomes para a mesma coisa.

Essa fonte de amor é o que você é. Essa fonte é você pleno e inteiro.
Na sua essência divina está contida a sua natureza divina.

Na sua essência está a sua natureza, e na sua natureza está a sua autenticidade.
Quando você olha para a sua natureza, você olha para tudo aquilo que é natural em você.

No meu processo de despertar da consciência, passei por um momento assim: de repente comecei a me deparar com o que era natural em mim e me assustei quando percebi que odiava várias partes minhas que fazem parte da minha natureza… de quem eu sou.

Por exemplo, a minha intensidade.

A intensidade faz parte da minha natureza. Eu crio com intensidade, penso com intensidade, sofro com intensidade.

A intensidade faz parte de quem eu sou. Mas, por muito tempo, eu briguei com isso e, por várias e várias noites, chorei pedindo a Deus para ser diferente.

Mal sabia eu que essa era uma das minhas principais tarefas aqui nesta encarnação: amar (aceitar) a minha natureza e aprender a lidar com ela.

Não foi fácil…

Eu precisei olhar para essa minha característica intensa e reconhecer tudo de bom e de ruim que já havia criado a partir dela.

A minha intensidade já me causou dor — e também já causou dor em muitas pessoas.

E eu só passei a aceitar a minha natureza quando comecei a compreender toda a dor que envolvia ela.

Foi um processo longo e difícil…

Eu precisei olhar para tudo o que eu odiava em mim e encarar todos os meus conflitos internos. Precisei olhar para cada uma das dores que criavam esses conflitos.

E foi assim que eu aprendi que, na verdade, não curamos nada apenas transformamos. Todo processo de cura é uma transformação da dor em amor.

Você não cura a dor… você apenas entende, acolhe e cuida dela, até que finalmente compreende as suas razões.

Toda dor tem uma razão e só conseguimos dominá-la quando entendemos essas razões.

Eu precisei olhar para todas as dores que a minha intensidade causou e para cada uma das razões por trás delas.

À medida que fui compreendendo as razões da dor, também fui entendendo como lidar com a minha intensidade… ou melhor, como administrá-la, como operá-la.

Fui descobrindo qual é a melhor forma de expressar a minha natureza  ou seja, o melhor jeito de ser quem EU SOU sem me causar dor e sem causar dor no outro.

E assim, bem devagarinho, fui aprendendo a me amar… ou melhor, a me aceitar.

E, toda vez que eu transformava uma dor em amor, eu me aproximava da Fonte do Amor em mim, minha essência divina.

Anote isso: a dor nos afasta do amor.

Todo esse processo me ajudou a entender, na prática, uma das coisas que Jesus tanto falou:
“Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”

Onde está Deus? Deus está em você. A sua essência divina é um pedacinho de Deus.

E a sua essência é quem você é… e a sua natureza é um pedacinho do Criador se expressando através de você.

Ou seja, para você amar a Deus, você precisa primeiro aprender a amar esse pedacinho Dele que está em você.

“Amai o seu pedacinho de Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”

Você precisa aprender a amar o seu pedacinho de Deus para depois amar o pedacinho de Deus que está no outro.

Agora pense comigo… quantas vezes fazemos caridade para poder dizer que amamos os outros, que nos importamos e que somos bondosos?

Quer provar que você se importa com os outros, que realmente é bondoso e que sabe amar?

Então olhe para você, lindo ser. Olhe primeiro para o pedacinho de Deus que está em você.

Olhe para a sua dor e cuide dela. Transforme sua dor em amor e torne-se uma fonte de amor para os seus semelhantes. Só assim você saberá o que é amar pela alegria de amar.

Quando aprendemos a nos amar por inteiro, nos tornamos plenos do amor divino — e então todo ato de doar (amar) passa a ser feito com alegria.

Damos pela alegria de dar. Amamos pela alegria de amar.

Só quando aprendemos a nos amar por inteiro é que aprendemos a amar sem exigir amor de volta.

Seria esse o tal do amor incondicional? O amor que não impõe nenhuma condição para existir?

Por isso, somente quando aprendemos a amar pela alegria de amar é que praticamos a verdadeira caridade, que é o ato de amar sem esperar nada em troca.

O mais interessante é que:

Muitos ricos e milionários doam quantidades enormes de dinheiro a instituições e dizem que praticam a caridade. Mas será que esses ricos estão inteiros… ou pela metade?

Tantos outros, “missionários da fé”, dizem que precisam de mais dinheiro para fazer caridade… estranho isso, pois, se a verdadeira caridade está no amor genuíno, será mesmo que eles estão pedindo o recurso certo aos seus fiéis?

Outros, chamados “sacerdotes”, exigem de seus “filhos” uma dedicação absurda às atividades ditas como atos de caridade. Mas como é que posso me dedicar a cuidar do outro se ainda não aprendi a cuidar de mim?

E, por fim, milhões e milhões de pessoas depositam mensalmente envelopes de dízimos e doações… mas quase ninguém lê o bilhete invisível que acompanha esse dinheiro…

No verso de cada nota há um pedido desesperado dizendo:  “Socorro, eu preciso de amor.”

Complicada essa tal caridade, não é?

Bom… eu vou seguir por aqui, tentando transformar minha dor em amor — e, quem sabe, com um pouco de sorte, eu aprendo a amar… e, depois disso, talvez eu tenha alguma coisa para doar.

Um beijo no seu coração,
Karina Cruz & o Espírito do Cavaleiro.
Escrito em 22/04/2026.