Entre o ideal e o possível: um caminho para sair do sofrimento.
Não é a vida que nos faz sofrer, é o ideal impossível que esperamos alcançar que nos causa sofrimento. Nesta reflexão, convido você a pensar junto comigo sobre a nossa busca pelo “perfeito” — e como aprender a viver o possível pode te devolver a leveza, o prazer e satisfação no agora. Boa leitura!
PERGUNTAR & DESVENDAR
Karina Cruz
4/24/20263 min read


Como posso aceitar a realidade que é possível agora e como posso desfrutar, com alegria e prazer, desta possibilidade?
Essa pergunta sempre me convida a refletir o quanto estou colocando minha energia no tal “ideal”.
E, às vezes, é preciso parar e perceber que estou idealizando um ideal impossível.
É do nosso hábito de esperar pelo perfeito e ideal que nos frustramos.
Nossa imaginação pode ser uma dádiva, mas também uma armadilha. Se você não ficar atento, corre o risco de se perder no meio das ilusões criadas pela imaginação.
No mundo da imaginação (fantasia), tudo é possível. E é bem lá nesse mundo de fantasia que construímos os nossos modelos ideais.
Imaginamos um trabalho ideal, um marido ideal, uma esposa ideal, um corpo ideal… uma vida ideal.
O problema é que, quando descemos do mundo da fantasia e colocamos os pés aqui neste mundo real, nos deparamos com desafios, barreiras, medos, dificuldades, dor e sofrimento.
E é aí que nos frustramos! Nos frustramos porque não conseguimos alcançar e viver aquele modelo ideal.
Ah, o ser humano e sua estranha mania de buscar a perfeição…
Se você parar para observar seus incômodos, vai notar que a maioria do seu sofrimento vem da frustração por não ter aquilo que gostaria de ter, por não ser aquilo que gostaria de ser!
Nos dias em que o sofrimento da frustração bate à minha porta, eu o deixo entrar, puxo uma cadeira e peço para ele sentar-se bem à minha frente.
Então, sirvo para nós dois uma bela xícara de café, olho bem nos olhos do sofrimento e pergunto a ele:
— Qual foi a expectativa que eu criei? O que foi que eu idealizei (desejei) que deixou você desse tamanho?
Não demora muito, o quentinho do café me ajuda a lembrar que me perdi de novo em uma ilusão. Que estava querendo algo que só era possível na minha imaginação, no meu colorido e perfeito mundo da fantasia.
Então, com certa dor no coração, eu volto, coloco meus dois pés no chão, olho para a realidade e pergunto:
— O que é possível agora?
Essa pergunta costuma ser cruel, pois ela esfrega na nossa cara que tudo na vida tem um preço e que nem sempre queremos pagar o preço do desconforto para obter o que queremos, ou que estamos querendo ter sucesso do dia para a noite.
Ela também costuma me mostrar o quanto deixo de viver o momento presente e desfrutar tudo aquilo que já conquistei.
O quanto ainda sou ingrata e esqueço de olhar para todas as bênçãos que já recebi, para todos os sonhos que já realizei, para tudo que já me tornei.
Mas, principalmente, essa pergunta me ajuda a colocar energia no que realmente é possível.
Quando aprendi a colocar energia no que é possível, passei a realizar, devagarinho, pequenas coisas todos os dias…
E, toda vez que eu realizava a pequena coisa possível do dia, eu me sentia mais forte, mais apta e capaz de realizar mais.
A vida me ensinou o poder do tijolinho por tijolinho…
Quando aprendemos a assentar bem cada tijolo, construímos as coisas com paciência, com dedicação e, especialmente, com PRESENÇA.
Vamos limpando o excesso de massa, escolhendo com cuidado os melhores tijolos… e, assim, quando algo sai errado, é fácil perceber e corrigir. Eis o segredo de construir com paciência.
Eu poderia, sim, trabalhar dia e noite nesta obra, ou até mesmo contratar uma construtora, colocar 300 homens trabalhando e, em poucos meses, teria um lindo e belo castelo!
O problema de construir com pressa é que, na ânsia de nos mudarmos logo para o castelo, nem percebemos os “defeitos” da obra.
Então, de repente, você termina a obra e tem um castelo poderoso, mas que, ao invés de te acolher, te sufoca!
Você sabe que essa conversa não é sobre castelos, não é?
Agora, para finalizar a reflexão do dia, vamos olhar juntos para essa pergunta:
Como posso aceitar a realidade que é possível agora e como posso desfrutar esta realidade com alegria e prazer?
E se você não precisasse de um castelo enorme?
O que você poderia viver agora? O que poderia experimentar agora?
Que alegria e prazer seriam possíveis agora?
E se… não fosse necessário esperar a obra acabar para experimentar a satisfação?
E se a satisfação estiver em cada tijolinho?
Por hoje é só…
Sim, esse nosso quadro começa e termina com uma pergunta…
Porque eu também não sei de nada, hahaha.
Eu também estou tentando descobrir…
Talvez, um dia desses, de tanto perguntar, uma coisa ou outra a gente consiga desvendar!
Um beijo no seu coração.
Karina Cruz. 💛
24/04/2026.
