E se o sagrado não precisasse se separar do desejo?
E se, para servir a divino não precisássemos nos separar do desejo e do prazer? E se o verdadeiro sinônimo de servir for AMAR? Será que não é justamente na aceitação daquilo que somos e desejamos que se encontra a verdadeira porta para a liberdade?
Catarina L´ Cruz
9/8/20264 min read


Mas que Deus é esse que vocês servem, afinal? Um Deus que exige a renúncia da vida?
Um Deus que exige obediência cega, autossacrifício e autoabandono para provar a Ele que o amam?
Ora, ora!
Parece que ainda estamos todos presos aos antigos fundamentos da Fé.
Os "guardiões" da sagrada palavra ainda esperam odediência cega dos fiéis?
E os fiéis ainda esperam um mestre para os salvar?
Quantos ainda se vestem de imaculados na tentativa de ganhar o céu?
Quantos abandoram a própria vida, desejos e anseios para provar que são puros e limpos?
Que tipo de sacerdócio, afinal, exigiria a renúncia da própria vida em nome de servir a Deus?
Desde quando autoabandono e sofrimento são sinais de graça, bondade e iluminação?
Agora o autoabondono se disfarça de caridade?
E parece que algumas sacerdotisas continuam revivendo um tempo em que lhes eram exigidas castidade e pureza absolutas para que pudessem servir ao sagrado?
Os votos de pobreza ainda operam em silêncio?
E o desejo? Ele ainda é sinônimo de PECADO e impureza?
Ah as sacerdotisas! Tão lindas e belas, ofereciam a própria vida para servir ao povo e a Deus.
E só podiam ocupar o tão sonhado “cargo” de servas do Divino se RENUNCIASSEM à própria vida, aos próprios desejos e às próprias vontades. Tinham de se tornar vazias…
Serviam apenas para servir ao povo.
Como eram lindas as sacerdotisas…
Vestiam branco e tinham de se apresentar puras e imaculadas diante do povo.
Tinham de estar sempre belas e arrumadas.
Tinham de sorrir e transmitir uma imagem de serenidade.
Contudo, sorriam por fora enquanto choravam por dentro.
Cuidavam de todos, mas nunca eram cuidadas.
Ouviam todos, mas nunca eram ouvidas.
Seus corações sangravam…
E seus corpos choravam!
Aos servos e às servas era negado o desejo da vida.
Eu já fui a sacerdotisa que se calou, vestiu branco e renunciou à própria vida para servir a Deus e ao povo…
O mesmo povo que me degolou.
E agora eles ainda esperam que eu RENUNCIE.
Digam-me, nobres senhores:
Querem que eu renuncie a quê?
A mim?
Ah… querem que eu renuncie ao poder?
Caríssimos, o “meu” poder tem origem dentro, não fora!
Está contido na origem: a CONSCIÊNCIA.
Vocês acharam que eu estava em busca de quê?
Aqui, apenas duas coisas realmente me interessam:
CONSCIÊNCIA e AMOR.
Especialmente, a consciência do amor.
Ora, ora!
Vocês continuam esperando que eu renuncie a mim e à minha vida para servir ao Divino?
Continuam esperando minha obediência cega?
Continuam esperando que eu permaneça calada diante de toda hipocrisia?
Caros sacerdotes do alto clero, deixem-me dizer-lhes uma coisa:
De agora em diante, eu sirvo a um novo templo!
E esse, sim, é um templo divino e sagrado.
Eu sirvo ao templo do meu Sagrado Coração, pois é nele que habita o meu Senhor:
um Deus de amor, bondade, abundância, VIDA e prosperidade.
Eu RENUNCIO, sim…
Eu RENUNCIO ao falso Deus que exige de mim sacrifício, autoflagelo e autoabandono para servi-lo!
Eu RENUNCIO a todos os juramentos, votos, pactos e acordos de pobreza, miséria, castidade e escassez!
Eu RENUNCIO ao cargo de serva da mentira!
Nobres “doutores” da Fé…
Risquem meu nome de seus arquivos.
Não esperem de mim mais nenhum tipo de sacrifício, muito menos obediência.
De agora em diante, eu sou uma SERVA DA VIDA.
E tenho como amparo a Mãe Divina da Vida, à qual me consagrei.
E a minha Senhora me revelou que os verdadeiros servos e servas do Sagrado são exemplos de vida, amor e liberdade. E que, através deles, flui VIDA EM ABUNDÂNCIA!
Eles não se curvam diante da ignorância, muito menos abandonam suas vidas para servir.
Pois de que adiantaria um servo da Vida que não cuida da própria vida?
De que adiantaria um servo da Vida que não honra a própria vida?
De que adiantaria um servo da Vida que renunciou à própria vida?
De que adiantaria um servo da Vida que vive com dor?
Bem-aventurados os servos abundantes de vida e amor!
Pois estes, sim, têm vida em abundância para transbordar e amor de sobra para compartilhar.
Estes, antes de servirem à vida do próximo, aprenderam a amar a própria vida.
Estes, antes de ajudarem o próximo a se libertar, SE LIBERTARAM!
Bem-aventuradas as Marias!
Marias, cheias de graça, a VIDA é convosco!
Marias, cheias de graça, o AMOR é convosco!
Marias, cheias de graça, o DESEJO DA VIDA é convosco!
Marias, cheias de desejo, amor e vida!
Benditas sois vós entre as mulheres!
Bendito é o fruto de vossos ventres!
Mulheres benditas de VERDADE!
Bem-aventuradas as Marias que se libertaram da escravidão dos falsos templos e que agora são senhoras de seus próprios templos:
O templo sagrado do corpo
O templo sagrado do coração
O tempo sagrado do EU SOU.
Benditas as Marias que agora escolhem a dedo quem poderá adentrar seus santuários de amor.
Benditas as Marias que despertaram do sono da ilusão e agora cultuam o Sagrado dentro do próprio coração.
Benditas as Marias que guardam o Sagrado Coração e o Sagrado do Amor.
Benditas as Marias que aprenderam a transbordar e que agora não transbordam em qualquer lugar.
Benditas as Marias que aprenderam a se amar e conseguiram se libertar.
Benditas as Marias…
Que agora vestem suas novas vestes, seus vestidos vermelhos!
Benditas as Marias…que agora não usam mais véu,
Usam, em seus cabelos, rosas vermelhas e chapéu!
Uma homenagem às Pombagiras, senhoras do Amor, da Vida e do Desejo.
Escrito por Catarina L’ Cruz
08-09-2026.
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PARA REFLETIR:
E se, para servir a divino não precisássemos nos separar do desejo e do prazer?
E se o verdadeiro sinônimo de servir for AMAR?
Será que não é justamente na aceitação daquilo que somos e desejamos que se encontra a verdadeira porta para a liberdade?
E se a verdadeira missão for servir ao divino que habita em nós?
E se o verdadeiro e mais importante templo for o nosso coração?
Com amor,
Catarina L’ Cruz
Terapeuta Integrativa e Escritora
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