A ilusão cobra um preço. A verdade cobra outro.

Durante anos, achei que felicidade fosse algo a conquistar mas depois de um tempo, descobri que talvez ela exija algo muito mais difícil: coragem para encarar a verdade.

Catarina L´Cruz

9/3/20263 min read

Parece que quase toda a jornada humana é destinada a desvendar dois grandes mistérios: quem EU SOU e como alcançar a felicidade?

Hoje estou com 36 anos e vejo quanto tempo perdi correndo atrás dos conceitos de felicidade que me apresentaram.

Parece que a sociedade tem uma espécie de cartilha invisível que foi implantada na cabeça de todo mundo.

Uma espécie de checklist da felicidade:

  • Faça faculdade.

  • Tenha um cargo importante.

  • Ganhe muito dinheiro.

  • Case-se.

  • Tenha filhos.

  • Troque de carro todo ano.

  • Tenha uma casa na cidade, outra no campo e outra na praia.

  • Faça cirurgia plástica e tenha um corpo perfeito.

Eu gastei muito tempo nos primeiros itens. Achei que, realmente, quando tivesse um cargo de respeito e ganhasse muito dinheiro na minha profissão, seria uma pessoa feliz e realizada.

E foi assim que passei 18 anos presa atrás de um computador, calculando tributos, como especialista tributária.

Boa parte do meu patrimônio foi conquistado pela contadora que fui.

Mas tudo isso me saiu um pouco caro…

O “sucesso” da contadora custou minha saúde: insônia, ansiedade, constantes dores de cabeça.

Até que cheguei a um ponto em que minha alma não suportou mais tudo aquilo.

E foi aí que iniciei a mais longa, árdua e emocionante aventura da minha vida:

a aventura de descobrir quem EU SOU.

Assim que larguei a contabilidade, fiz um pacto comigo:

Aconteça o que acontecer, nunca mais vou desistir de mim. Nunca mais vou me abandonar de novo.

Minha nossa, se eu soubesse todos os desdobramentos desse pacto… rsrs

Foram longos anos em um profundo processo de autodescoberta.

Muito choro, muita tristeza, bastante sofrimento e muito, muito, muito medo.

Pelo jeito, naquele dia em que decretei que nunca mais me abandonaria, algum anjo no céu disse: “Amém.”

Bom, eu descobri, de um jeito muito intenso, toda a dor que envolve o abandono.

Primeiro precisei passar por diversos tipos de abandono. Depois, precisei reconhecer a dor do abandono que ainda latejava em minha alma.

Depois precisei abandonar sonhos, ideias, projetos, ilusões, mentiras, crenças, medos etc., etc.

Até que cheguei à pior fase, quando precisei começar a abandonar versões de mim mesma.

E, ao abandonar algumas versões que já não me serviam mais, também me vi obrigada a deixar pessoas e lugares.

Alguns lugares se tornaram apertados, e algumas pessoas simplesmente não conseguiam mais me reconhecer. Tornei-me uma estranha para elas e, justamente por isso, o vínculo aos poucos foi se desfazendo.

É interessante observar o quanto não sabemos amar…

Vamos construindo personagens na tentativa de agradar e sermos aceitos, e não nos damos conta de que são justamente esses personagens que nos impedem de ter uma vida com mais prazer e satisfação.

À medida que fui descobrindo mais de mim e comecei a me revelar, nem todos gostaram da minha nova versão, que agora sabia se posicionar, se defender, impor limites e dizer não.

Aos poucos, fui descobrindo quais conexões eram verdadeiras e quais eram fantasia.

Devagar, comecei a olhar para minha luz e minhas trevas.

Fui descobrindo que não sou inteiramente boa, mas também não sou inteiramente má.

E isso me ajudou a começar a desenvolver uma versão mais equilibrada de mim.

Porém, depois que fui chegando mais perto do meu ponto de equilíbrio, tudo aquilo que estava em desequilíbrio começou a ruir, a desmoronar.

Aquelas relações em que eu só me doava, mas nunca recebia, começaram a perder força.

As que estavam encobertas por ciúme e inveja simplesmente acabaram.

As que se sustentavam por manipulação, mentira e controle desmoronaram.

Sobraram alguns poucos sobreviventes… rsrs

Aliás, sobraram poucos. Bem, bem poucos.

Mas os poucos que sobraram são REAIS.

São verdadeiros. São leais.

São conexões em que o amor se revela através do cuidado, do carinho, da ternura e, principalmente, através das atitudes.

Se hoje eu sou mais feliz?

Certamente que sim.

Porém, essa felicidade teve um preço.

O preço foi a verdade.

E a verdade cobra caro…

Cobra muito caro.

É, meus amigos, parece que tudo na vida tem um preço.

A ilusão cobra um preço.
A verdade cobra outro.

De um jeito ou de outro, existe um preço a ser pago.

Então, caro leitor, eu sei que você, assim como eu e tantos outros, deseja descobrir quem realmente é e também quer ser feliz.

Mas a pergunta que te faço é:

Você está pronto para pagar o preço da verdade?

Escrito por Catarina L´Cruz -em 05-09-26

Terapeuta Integrativa, Médium e Escritora

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